SIMETRIUM .COM
de 10 µs num bastidor a 2,5 s até à Lua
36 idiomas
Symbol plate ECHO
RTT ida e volta · para um só sentido não há com quê
três maiúsculas, sem pontosnão confundir com o intervalo entre pacotes
Ficha da unidade as camadas baixas · o tempo em segundos SI ficha 1/1 · rev. 2026-09

O tempo de ida e volta e o intervalo entre pacotes

Grandezas fora do sistema · exprimem-se em segundos SI · o RTT e o Δt entre pacotes

Em 1983 Mike Muuss, enquanto averiguava uma avaria numa rede, escreveu numa só noite um pequeno programa que enviava a uma máquina um pedido curto e imprimia o tempo decorrido até à resposta. O nome tomou-o dos sonaristas: um submarino lança um estalido e escuta o eco, e a distância calcula-se a partir de uma só diferença de tempos. Desse hábito de medir nasceu a unidade: o que se regista não é a ida nem a volta, mas o laço inteiro.

A subtileza está em que a ida e volta se mede com um só relógio: o pedido parte e a resposta chega à mesma máquina, e por isso a diferença das leituras não depende de os relógios da outra ponta concordarem. O atraso de ida não se consegue tão facilmente: para ele são precisos relógios acertados com mais finura do que o próprio atraso, ou seja, ou um protocolo à parte de transferência da hora, ou um recetor de tempo por satélite em cada ponta.

Símbolos RTT · Δt · SRTT
A unidade de trabalho milissegundo
De que se compõe percurso + serialização + fila
A velocidade na fibra ≈ 200 000 km/s
O limite para uma conversa 400 ms segundo a UIT-T G.114
Traduções prontas / 36
Para a conversão Ping numa só noite
01 · Definição

O tempo de ida e volta é o intervalo entre o envio de um pacote e a chegada da resposta a ele, medido por um e o mesmo relógio. O intervalo entre pacotes é o tempo que medeia a saída de dois pacotes vizinhos de um mesmo fluxo; não é a rede que o fixa, mas quem a carrega.

A ida e volta compõe-se de três parcelas de natureza diferente, e distingui-las importa, porque cada uma se cura de outro modo. A primeira é o tempo de propagação, fixado pelo comprimento do trajeto e pela velocidade da luz na fibra, e não cede a nada senão a um cabo mais curto. A segunda é a serialização, o tempo de empurrar o pacote para a linha, e diminui quanto mais rápida for a ligação. A terceira é a fila nas memórias intermédias dos nós, e só ela depende de quão carregada está a rede nesse instante.

Daqui decorre uma circunstância pouco evidente: pode alargar-se a ligação dez vezes e a ida e volta não muda em nada, pois o alargamento só retira a serialização, ao passo que as filas e o comprimento do trajeto ficam onde estavam. Mais ainda: em memórias feitas com folga «por via das dúvidas», os pacotes não se perdem mas esperam, e a ida e volta sob carga cresce até aos segundos — é esse o mal a que chamaram bufferbloat.

O intervalo entre pacotes não está ao lado por acaso: quase tudo o que acontece a um fluxo se decide na razão do intervalo para a ida e volta. Enquanto os pacotes saem mais vezes do que voltam os avisos de receção, o emissor trabalha às cegas e tem de manter no trajeto tantos dados quantos fisicamente lá cabem — e essa quantidade é precisamente o produto do débito pela ida e volta.

Formalmente L — o comprimento do trajeto, v — a velocidade na fibra, C — o débito da ligação, S — o tamanho do pacote, N — o número de nós
De que consta a ida e volta
RTT = 2L / v + N · S / C + t(fila)
Capacidade do percurso
BDP = C · RTT
Prazo de retransmissão
RTO = SRTT + 4 · RTTVAR
Intervalo entre pacotes
Δt = S(útil) / B
T
dimensão: ambas as grandezas medem tempo
200
km por milissegundo — o limite que a fibra impõe
20
milissegundos — o intervalo entre pacotes na telefonia
Interativo · um pacote de ida e volta

Escolha um trajeto e passeie o cursor pelo tamanho do pacote. O pacote azul parte do bastidor da esquerda para o da direita e volta cor de laranja; a banda sob o trajeto decompõe a ida e volta em três parcelas, para que se veja em que ela se gasta de verdade. Alargar a ligação encurta apenas a parte do meio — aquela que nos trajetos longos é de todo o modo a menor.

tamanho do pacote
a ida e volta inteira
serialização do pacote
dados em voo (BDP)

Uma memória intermédia feita com folga

A memória barateou antes de os algoritmos mudarem, e os fabricantes puseram nos aparelhos filas de centenas de pacotes, supondo que uma memória a mais não faria mal. Saiu ao contrário: uma fila cheia não perde os pacotes mas retém-nos, o emissor não recebe sinal algum de congestão e continua a carregar. A ida e volta de uma ligação doméstica sob carga chegou a segundo e meio, ficando o débito o mesmo.

02 · Conversão

Ida e volta, conduta e fluxo de pacotes

Introduza uma ida e volta nas unidades que quiser, e a ficha convertê-la-á nas restantes e depois calculará o que dela depende: quantos dados cabem no trajeto a diferentes débitos, que limite põe a janela e que intervalo entre pacotes escolhem os vários codificadores.

O débito para calcular a capacidade é tomado do trajeto escolhido na parte interativa; nos ajustes finos pode fixar-se num gigabit.

O ping não mede bem aquilo de que um programa de aplicação precisa. O tratamento de um pedido de eco num nó distante segue um caminho à parte, muitas vezes contornando o processador principal, e por isso o seu atraso não coincide com o de uma ligação verdadeira; outros aparelhos, por seu turno, respondem a tais pedidos em último lugar, ou não respondem. Por isso um ping grande nem sempre significa uma ligação lenta, nem um pequeno garante uma rápida.

Tabela de conversão
ValorNota
Prazo de retransmissão
Capacidade do percurso
Ordem de grandeza

03 · Ordens de grandeza
escala logarítmica: do microssegundo ao segundo

tempo de ida e volta, em segundos
A banda clara é a região onde a ida e volta decide o que a pessoa sente: de dez milissegundos, abaixo dos quais já não se nota diferença, até quatrocentos, para lá dos quais a conversa se torna impossível. À sua esquerda vivem os atrasos das bolsas e os do interior das máquinas; à sua direita, o satélite e a ligação interplanetária, onde se renuncia de todo a esperar resposta.
04 · Instrumentos de medição

Com que se apanha o tempo de ida e volta

pedido de eco · analisador · testador físico · sonda com relógio
Pedido de eco

O programa envia um pacote com uma marca de tempo e aguarda o seu regresso, e a diferença das leituras é a ida e volta. O seu mérito está em bastar um relógio e não ser preciso do interlocutor senão a vontade de responder; o seu defeito, em que ele responde por um caminho à parte, não necessariamente rápido.

Analisador de pacotes

Registado o troco inteiro, a ida e volta obtém-se do próprio fluxo: do tempo entre a saída de um segmento e a chegada do seu aviso de receção. Assim se mede justamente o atraso que o programa de aplicação vê, e de caminho torna-se visível a dispersão — aquilo que numa conversa estorva mais do que um atraso regular.

Testador físico

Os aparelhos que marcam a hora no próprio circuito de rede retiram a incerteza que o sistema operativo traz e levam a resolução a dezenas de nanossegundos. Trocam segundo um acordo à parte em que cada ponta põe duas marcas — e é isso que permite partir a ida e volta nas suas duas metades desiguais.

Sonda com relógios sincronizados

O atraso de ida só se mede onde os relógios de ambas as pontas estão trazidos a um tempo comum com mais finura do que o próprio atraso: para isso balizam-se as linhas com um protocolo à parte de sincronização ou instalam-se recetores de tempo por satélite. Sem isso a ida e volta continua a ser o único número honesto.

05 · Regras de escrita

A ida e volta com a sua unidade, a dispersão à parte

A designação escreve-se com três maiúsculas latinas sem pontos; o valor, com a sua unidade e a indicação do que exatamente foi medido: uma sondagem única, a média de uma série ou a sua mediana. A dispersão dá-se ao lado, como número à parte, pois uma média sozinha nada diz sobre se os pacotes correm certos.

Correcto
RTT = 128 ms (mediana de 100 sondagens)
RTT 12,4 ms, dispersão 0,8 ms
Δt = 20 ms, 50 pps
atraso de ida 63 ms (relógios PTP)
Incorrecto
ping 130
atraso de ida = RTT / 2
ligação mais larga, ida e volta mais curta
R.T.T.

A primeira escrita passa sem unidade e, com ela, sem sentido: cento e trinta de quê — milissegundos ou microssegundos? A segunda faz passar uma suposição por uma medição, quando o caminho de ida e o de volta seguem muitas vezes vias diferentes e as metades saem desiguais. A terceira repete o erro mais espalhado e toma a ida e volta por propriedade da ligação e não do trajeto inteiro. A quarta troca as grandezas: um intervalo entre pacotes não é uma ida e volta.

06 · Unidades vizinhas

A ida e volta descreve o trajeto pelo lado do tempo; o débito, pelo lado da quantidade, e o produto de ambos dá uma terceira grandeza, a capacidade do trajeto, sem a qual não se afina nenhuma ligação rápida a grande distância. Ao lado está a dispersão do atraso, que na conversa e no jogo estorva mais do que um atraso regular.

bit/s
velocidade do canal
quanto cabe num segundo
BDP
a capacidade do percurso
débito × ida e volta
J
a dispersão do atraso
tremulação segundo a RFC 3550
Ida e volta suavizada
SRTT ← 7/8 · SRTT + 1/8 · R
Dispersão do atraso
J ← J + (|D| − J) / 16
O limite de débito posto pela janela
B(max) = W / RTT

De entre as fichas do Simetrium estão ao lado o bit e byte, em que se conta a capacidade do percurso, segundo, à qual ambas as grandezas acabam por reduzir-se, decibel dos balanços de ligação e o ciclo de relógio, que fixa o limite de resolução das marcas de tempo por hardware.

07 · Secção histórica

O estalido e o eco

arquivo · 1969 → hoje
1969 · Los Angeles
As duas primeiras letras e o corte

Quando entre a Universidade da Califórnia e o instituto de Menlo Park se transmitiu a primeira palavra, o operador ditava-a pelo telefone e aguardava a confirmação letra a letra. A ligação caiu à terceira letra, mas o próprio procedimento — enviado, esperada a resposta, olhado o relógio — veio a ser exatamente aquele que ainda hoje se usa.

560 km, uma ligação de 50 kbit/s
1983 · uma noite ao programa
O ping tem o nome do eco do sonar

Mike Muuss escreveu o seu programa numa noite, enquanto averiguava uma avaria, e chamou-lhe pelo som da sonda acústica: um impulso curto e depois a espera do reflexo. O nome saiu tão feliz que o verbo «pingar» entrou na língua muito para lá do ofício das redes e designa já qualquer mensagem curta que se manda para saber se está alguém.

cerca de mil linhas em C
1988 · o engarrafamento na rede
A ida e volta torna-se um órgão dos sentidos

No outono de 1986 o débito de uma das ligações universitárias caiu mil vezes: os emissores, não recebendo avisos de receção, mandavam cópias novas e acabavam de vez com o trajeto. Van Jacobson propôs um remédio que ainda hoje obra: vigiar a ida e volta e a sua dispersão e tomar o seu crescimento por sinal de congestão, contendo o envio antes de começarem as perdas.

32 kbit/s caíram para 40 bit/s
Hoje
A luta contra as memórias intermédias inchadas

Os algoritmos atuais de controlo de fluxo já não vigiam as perdas, mas diretamente o modo como a ida e volta cresce, e contêm o envio antes de a fila ter tempo de se encher. Os encaminhadores domésticos receberam disciplinas que mantêm a memória curta de propósito — e a ida e volta sob carga cai de segundo e meio para dezenas de milissegundos na mesmíssima ligação.

1500 ms → 30 ms na mesma ligação
A sonda acústica: um impulso para baixo, um reflexo para cima, a profundidade de uma só diferença de tempos
Nota metrológica

Metade da ida e volta é uma suposição, não uma medição

A ida e volta é cómoda por não exigir acordo dos relógios: tanto o envio como a receção são marcados por um só aparelho, e uma discrepância de escalas simplesmente não entra na diferença. É por isso que o ping funciona em toda a parte e não precisa de afinação, ao passo que o atraso de ida é grandeza bem mais caprichosa, que pede uma sincronização mais fina do que aquilo que se mede.

O hábito de partir a ida e volta ao meio mantém-se por essa razão, embora pouco o fundamente: o fluxo para o interlocutor e o que dele volta seguem não raro rotas diferentes, de comprimento e carga diferentes, de modo que as metades verdadeiras podem diferir para o dobro. A grandeza mais fácil de medir de todo o ofício das redes é também a que mais vezes se lê mal.

Dois relógios não andam a par — e por isso um só lado da ida e volta não se separa
Catálogo · unidades de medida

Uma ficha para cada grandeza

Sete unidades de base do SI, vinte e duas derivadas com nome próprio e grandezas fora do sistema sem as quais nem a técnica nem o calendário funcionariam.

7
de base
22
derivadas
36
idiomas

As camadas baixas: tempo, volume, débito

a ficha aberta está destacada

Unidades de base do SI

está destacado o segundo: nele vivem ambas as grandezas

Intervalos entre pacotes na prática

de dezasseis milissegundos a meio minuto
08 · A sua língua
cada ligação leva a uma página de idioma real

Leia na sua língua

traduzido e revisto tradução provisória na fila