Os prefixos escrevem-se em minúsculas — m, d —, mas o litro leva L maiúsculo para não ser confundido com o algarismo um; mmol/L e mg/dL leem-se da mesma maneira em todas as línguas. A notação mg% é o nome antigo do mesmo miligrama por decilitro, derivado de «por cento» no sentido de «por cada cem mililitros», e os boletins de análises recentes já não a utilizam.
Um número sem unidade é perigoso: 5,5 é uma glicemia em jejum normal em mmol/L e uma hipoglicemia gravíssima se fosse mg/dL. Também não se deve confundir com a HbA1c em percentagem nem com a glicose na urina, cujos limiares são outros; e o resultado no plasma e no sangue total difere cerca de uma décima parte.
Em cima da mesa está um glucómetro: uma gota de sangue na ponta da tira treme e é aspirada para o capilar, enquanto o ecrã mostra alternadamente a mesma análise em duas notações — 5,5 mmol/L em carmim e 99 mg/dL em azul. Por cima do aparelho roda lentamente o anel de uma molécula de glicose, à volta flutuam partículas, e à esquerda uma marca sobe pela escala até ao limiar de 7,0, abaixo do qual está assinalado a rosa o intervalo normal em jejum.
Ficha da unidade
concentração · análise ao sangue ficha 1/1 · rev. 2026-09Glicose no sangue mmol/L · mg/dL
Submúltiplo de mol/L (o litro é aceite para uso com o SI) · grandeza: concentração molar; notação mássica — 1 mmol/L = 18,016 mg/dL
Uma análise, dois números e uma fronteira a meio do Atlântico
Uma pessoa com diabetes que voou de Toronto para Chicago tira o seu glucómetro e vê um 6 no ecrã, enquanto o seu médico americano diz que o normal é «à volta de cem» — e ambos falam do mesmo sangue. O Canadá, o Reino Unido, a Austrália, a China e a Escandinávia exprimem a glicose em milimoles por litro, ao passo que os EUA, o Japão, a Índia e a maior parte da América Latina usam miligramas por decilitro, e em França os boletins indicam muitas vezes gramas por litro — assim, a mesma análise tem três nomes no mundo.
A diferença não está na exatidão nem nos aparelhos, mas naquilo que se conta: o número de moléculas de glicose num litro ou a sua massa numa décima de litro. Daí o fator 18 — a massa molar da glicose, 180 gramas por mole, dividida pelos dez decilitros de um litro —, e é por isso que o fator do colesterol ou da creatinina é completamente diferente.
Esta ficha mostra sangue onde flutuam moléculas de açúcar, converte os limiares da diabetes de uma notação para a outra e explica o que um glucómetro mede realmente quando a gota toca na tira.
01 · Definição
mole · massa · decilitroA milimole por litro é uma concentração molar: a milésima parte de uma mole de glicose dissolvida num litro de plasma, ou seja, cerca de seiscentos triliões de moléculas. O miligrama por decilitro é uma concentração mássica: os miligramas de glicose contidos numa décima de litro. Como uma mole de glicose pesa 180,16 gramas, um número converte-se no outro multiplicando por 18,016.
A notação molar adequa-se melhor à fisiologia, porque o organismo conta moléculas, não gramas: a pressão osmótica, o trabalho dos transportadores renais e o metabolismo dependem do número de partículas. A notação mássica é mais antiga e mais familiar ao químico junto à balança, e manteve-se onde laboratórios e médicos trabalhavam há décadas com gramas, de modo que a passagem ao SI recomendada pela OMS nunca chegou a acontecer nesses países.
O diagnóstico em si não depende da unidade escolhida: os limiares da OMS e da Associação Americana de Diabetes coincidem, apenas estão escritos duas vezes — 7,0 mmol/L em jejum são os mesmos 126 mg/dL, e 11,1 duas horas após uma sobrecarga de glicose são os mesmos 200 mg/dL.
Quanto açúcar flutua num capilar
Em cima, um capilar em corte: os discos carmim dos glóbulos vermelhos flutuam com a corrente do plasma, e os hexágonos azuis são moléculas de glicose, que aumentam ou diminuem com o cursor. Em baixo, o intervalo de referência para o momento de análise escolhido: a zona azul é hipoglicemia, a rosa-clara é normal, a rosa é um valor limítrofe e a carmim é o nível diabético; o ponteiro indica o valor atual, legendado em mg/dL por cima da escala e em mmol/L por baixo.
Porque é que o glucómetro e o laboratório diferem uma décima parte
A glicose está dissolvida na água, e o plasma contém mais água do que o sangue total, onde os glóbulos vermelhos ocupam uma parte considerável do volume; por isso, a concentração no plasma é cerca de onze por cento mais alta. Os laboratórios e quase todos os glucómetros modernos indicam um valor convertido para plasma, e os limiares de diagnóstico estão definidos precisamente para ele; os aparelhos antigos, porém, eram calibrados para sangue total, e os seus valores não podem ser comparados com as normas sem correção.
02 · Conversão
unidades · limiares · outras substânciasDe milimoles para miligramas e vice-versa
Introduza um valor de glicose em qualquer das notações e a ficha exprimi-lo-á em mmol/L, mg/dL e g/L, compará-lo-á com os limiares da OMS e da ADA para três tipos de análise e, no terceiro separador, mostrará como o mesmo princípio de conversão dá fatores muito diferentes para o colesterol, os triglicerídeos, a creatinina e a bilirrubina.
Regra para memorizar: os milimoles multiplicam-se por dezoito, os miligramas dividem-se por dezoito, e cem mg/dL são um pouco mais de cinco e meio mmol/L.
O fator 18 serve apenas para a glicose. Cada substância tem o seu, porque as massas molares são diferentes, e a creatinina e a bilirrubina usam ainda outro prefixo — micromole e não milimole. Ao converter um boletim inteiro com um único coeficiente, é fácil errar para o dobro ou mais.
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04 · Instrumentos de medição
tira · glucómetro · sensor · analisadorQuatro maneiras de contar o açúcar
Cor em vez de número
Na almofada da tira, a enzima glicose oxidase oxida a glicose, liberta-se peróxido de hidrogénio e um corante escurece tanto mais quanto mais açúcar houver. A cor é comparada a olho com a escala do frasco, pelo que o resultado sai em degraus e não como um número, mas isso bastava para as primeiras medições em casa, e a mesma enzima continua a funcionar na maioria das tiras.
Açúcar convertido em eletrões
Numa tira moderna, a enzima cede a um elétrodo os eletrões da glicose oxidada, e o glucómetro mede uma corrente minúscula, proporcional à concentração, e mostra no ecrã o valor já convertido nas unidades para as quais o aparelho está configurado no país de venda. Segundo a ISO 15197, para valores a partir de 100 mg/dL, pelo menos 95 % das medições devem ficar dentro de quinze por cento do valor laboratorial.
Uma curva em vez de um ponto
Um sistema de monitorização contínua mantém sob a pele um filamento fino com a mesma enzima e regista um valor a cada poucos minutos, mas mede a glicose não no sangue, e sim no líquido intersticial, aonde o açúcar chega com atraso. Por isso, a sua curva acompanha a do sangue com um desfasamento de vários minutos, e quando o açúcar desce depressa o sensor pode ainda mostrar um número tranquilizador quando no sangue já há hipoglicemia.
O método de referência numa cuvete
O analisador laboratorial transforma por via enzimática a glicose da amostra numa substância que absorve o ultravioleta a 340 nanómetros e, a partir da absorvância na cuvete, determina a concentração na reta de calibração. Este método da hexocinase serve de referência para aferir os glucómetros, e é o seu resultado que se imprime no boletim — nas unidades adotadas no país do laboratório.
05 · Regras de escrita
unidade · amostra · tipo de análiseO número, a unidade e aquilo que se mediu
O resultado da glicose escreve-se sempre com a unidade e com aquilo que foi medido exatamente — plasma ou sangue total, em jejum ou após sobrecarga —, porque cada uma destas palavras altera o valor normal.
A primeira linha à direita perde a unidade e torna assim o número impossível de identificar; a segunda põe milimoles num número em miligramas e transforma um valor normal num nível mortal. A terceira confunde o decilitro com o litro e erra dez vezes, a quarta cem vezes; a quinta não diz em que análise foi obtido o limiar, embora 11,1 signifique diabetes apenas duas horas após uma sobrecarga ou numa medição ocasional com sintomas; e a sexta inverte o fator.
06 · Unidades vizinhas
mole por litro · HbA1c · caloriaA glicose no sangue tem três vizinhos: a mole por litro, unidade geral de concentração da qual deriva a milimole; a hemoglobina glicada HbA1c, que mostra a glicose média ao longo de três meses; e a caloria, em que o mesmo açúcar é contado como combustível.
A concentração molar do químico; no sangue, a sua milésima parte — a milimole.
A memória que o sangue guarda do açúcar ao longo de três meses, também em duas unidades.
A mesma glicose como combustível: cerca de quatro quilocalorias por grama.
07 · Secção histórica
arquivo · do tubo de ensaio ao sensorComo o açúcar se tornou um número, e o número, dois
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Porque é que o 18 não se pode aplicar a todo o boletim
A altura da barra é o fator de conversão da notação mássica para a molar, de zero a noventa: glicose, colesterol, triglicerídeos, e creatinina e bilirrubina, estas duas últimas em micromoles. Uma moldura carmim destaca a glicose; uma moldura azul rodeia as restantes substâncias.
O fator é a massa molar da substância dividida por dez, corrigida pelo prefixo, e por isso muda de linha para linha no mesmo boletim.
De onde vem o dezoito
Uma mole de glicose pesa 180,16 gramas, portanto uma milimole pesa 180,16 miligramas. Se essa milimole estiver dissolvida num litro, cada um dos dez decilitros contém uma décima parte da sua massa, ou seja, 18,016 miligramas — e é tudo o que está por trás do fator sobre o qual os médicos discutem nas duas margens do oceano.
O decilitro vem da tradição clínica, em que durante muito tempo as concentrações se exprimiam «por cada cem mililitros», como percentagens, e ainda em meados do século vinte os boletins traziam mg%. A passagem ao litro e à mole fez parte do movimento geral da medicina para o SI, que a OMS apoiou em 1977; mas em vários países médicos, farmacologistas e fabricantes de aparelhos concluíram que o risco de erros durante a reaprendizagem superava o benefício, e ficaram pelos miligramas.
Por isso, os glucómetros para mercados diferentes saem de fábrica com unidades diferentes, os folhetos dos medicamentos imprimem os limiares duas vezes, e qualquer pessoa com diabetes que atravesse uma fronteira faz constantemente de cabeça uma simples divisão por dezoito.






